Comodismo

11/28/20252 min read

Sabe quando uma frase te pega de jeito e não sai mais da cabeça? Pois é, “O inferno agradece” é dessas. Parece só um título de clickbait, mas não é. É, na verdade, um chamado à consciência. Um espelho colocado diante de cada um que se declara cristão, mas tem vivido como se não fosse.

Essa reflexão é profunda e, ao mesmo tempo, desconfortável. Porque ela aponta para algo que muitos preferem ignorar: o papel silencioso, porém ativo, que a omissão cristã tem no avanço do mal no mundo.

Mas antes de mergulhar de cabeça nesse tema, vamos começar com o que sustenta tudo isso: a Palavra e a oração.


Dante

A frase “O Inferno Agradece” se inspira na obra A Divina Comédia, de Dante Alighieri, um clássico da literatura cristã e filosófica. Em seu famoso poema, Dante apresenta o inferno como um cone de nove círculos descendentes, cada um simbolizando um tipo específico de pecado.

Mas o que mais chama a atenção é como Dante interpreta o inferno como a ausência completa de Deus, o que ele chama em latim de privatio boni — a privação do bem.

Dante também deixa uma crítica implícita: não são apenas os pecados cometidos que fortalecem o inferno, mas também o bem que deixamos de fazer. Ou seja, a negligência, a apatia espiritual, também alimentam o poder das trevas.

A Bíblia denuncia esse tipo de omissão

Em 2 Timóteo 3:1-5, Paulo alerta Timóteo sobre os últimos dias:

“Os homens serão egoístas, amantes do dinheiro, arrogantes, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes…”

Muitos cristãos leem esse texto achando que ele se refere somente aos “ímpios”, os que estão fora da igreja. Mas veja o que diz no final:

“…tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder.”

Essa descrição não é sobre ateus ou incrédulos. É sobre pessoas religiosas, que parecem crentes por fora, mas negam o poder transformador da fé.

A parábola dos palhaços e a cidade em chamas

Baseada nos escritos de Søren Kierkegaard e resgatada por teólogos como Bento XVI, essa parábola é um soco no estômago:

Dois palhaços, parte de um pequeno circo, veem o mato pegando fogo perto da cidade. Eles correm para avisar a população, ainda vestidos como palhaços. Mas os moradores riem — acham que é parte do espetáculo.

Enquanto os palhaços gritam “Fogo!”, as pessoas aplaudem. Até que o fogo chega e consome tudo.

Moral da história?
Quando o mensageiro não é levado a sério, a mensagem perde a força.
E quando nós, cristãos, dizemos que cremos em Jesus, mas vivemos como quem não crê, somos como palhaços avisando sobre o inferno — ninguém leva a sério.

Quando o mundo nos vê como uma piada

É forte, mas é real. Vivemos numa sociedade onde a maioria se declara cristã. Porém, qual o testemunho que temos dado? Quantos vivem o que pregam? Quantos falam de Jesus mas não demonstram o amor de Jesus?

“O inferno agradece quando o cristão se torna irrelevante.”

E isso vale tanto para a vida pessoal quanto para a missão global da igreja.

A volta de Jesus e o evangelho no mundo

Segundo Mateus 24:14:

“Este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações. Então virá o fim.”

Jesus liga diretamente a sua volta à pregação do evangelho.

Não é questão de “quando Deus quiser”. É questão de missão cumprida. Enquanto o evangelho não for anunciado a todos os povos, o relógio profético segue ticando.